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A Segurança em Obra

#àconversacom Ana Gramaça / Percentil

Nesta entrevista, mergulhamos na perspetiva de Ana Gramaça, diretora técnica de saúde e segurança na construção civil da Percentil, uma empresa notável pelo seu compromisso com a segurança e o meio ambiente ao longo de duas décadas. Com uma abordagem única em cultura de parceria e apoio ao cliente, Ana sublinha a importância da segurança em obra, abordando os desafios do setor, a evolução da segurança em Portugal, e o papel transformador das inovações tecnológicas. Junte-se a nós neste #àconversacom para descobrir a visão da convidada sobre como estas transformações estão a moldar o futuro da construção civil.

Qual a importância da segurança em obra?

A segurança em obra é fundamental para garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável para todos os trabalhadores. É importante que as empresas (sejam Entidades Executantes, sejam os seus subempreiteiros) tenham políticas e medidas de segurança eficazes para prevenir acidentes de trabalho. Evitar que aconteçam acidentes e incidentes, para não colocar em risco a saúde e a vida do trabalhador. Eu diria que a segurança é um dos grandes pilares que asseguram o bem-estar dos trabalhadores, contudo a empresa em si também tem a ganhar com isto, beneficiando deste investimento na segurança. Um acidente de trabalho pode sair muito caro a uma entidade empregadora. Há uma melhoria da produtividade geral, se estivermos a trabalhar num ambiente mais seguro, sem acidentes ou doenças. Acaba por ser vantajoso para todos os envolvidos dar a devida importância à segurança em obra.

Quais os principais erros em obra?

Da nossa experiência, um dos principais erros tem a ver com o planeamento, ou melhor, com a falta de planeamento e de preparação. Onde se junta a falta de conhecimento da segurança, das medidas e da sua importância. Ainda se vê muito, infelizmente, aquele encolher de ombros, “eu vou só fazer isto, é rápido”. O facto de haver, por exemplo, trabalhadores não qualificados para determinadas funções e manuseamento de equipamentos onde não utilizados os EPI’s necessários, seja por negligência ou porque o próprio trabalhador não quer utilizar determinado equipamento mais seguro, demonstra isso mesmo.

Outro erro muito importante, na minha opinião, é a falta de comunicação entre as partes. A Percentil é uma empresa externa às entidades executantes, e, se não houver uma boa comunicação entre nós e a entidade executante, não conseguimos resolver o que depois virá pela frente.

De uma forma geral, como podemos evitar erros ou acidentes?

Eu costumo dizer que há dois temas muito importantes para se reduzirem e evitarem acidentes: condição segura e comportamento seguro. A condição é a Entidade Executante, e também o empregador, que disponibiliza, o comportamento seguro é o trabalhador que tem de ter enraizada cultura de segurança. Se estas duas estiverem unidas, não quer dizer que não existam acidentes, mas podemos minimizar muito os acidentes.

Recentemente tivemos uma situação que demonstra isto mesmo. Estávamos a reabilitar um espaço onde havia plataformas de andaimes para execução de tetos. Estes andaimes eram certificados, com guardas, estabilizadores, etc. Tínhamos, portanto, a condição segura para o trabalhador. No entanto, a sua tarefa era ao nível de esteiras e varões roscados, e o trabalhador não estava a fazer uso do capacete de proteção, optou por não o usar. O resultado foi que, quando subiu a plataforma de andaime, bateu com a cabeça num varão roscado, fez uma fratura craniana e foi para o hospital. Portanto, apesar de haver uma condição segura, não houve um comportamento seguro. E o contrário é igual, porque às vezes eu posso ter um comportamento seguro, mas se o local de trabalho não tem condições… E há obras com condições muito difíceis…

Como é que tem evoluído a segurança em obra em Portugal?

O feel geral é que as coisas vão melhorando. Acabamos por assistir a melhorias pela insistência e persistência. Verificamos que, ao longo do tempo do nosso acompanhamento, alguns clientes acabam por querer melhorar o seu desempenho ao nível da segurança, pedem opiniões, formações mais específicas, e isso acaba por ser um bom indicador.

Tem havido alguma evolução na própria segurança ou na vossa função ao longo dos anos?

Diria que tem existido sempre evolução na segurança, nem que seja por equipamentos mais sofisticados e seguros, por interesse na prevenção de acidentes com medidas de prevenção implementadas eficientemente e no momento oportuno.

Contudo, creio que seria importante uma revisão da nossa legislação, para permitir continuarmos a melhorar. Sabemos que há projetos por aí a tentar que isso aconteça, mas ainda nada em concreto. Por exemplo, existe um decreto relativo a andaimes em vigor de 1958, como utilização de andaimes com pranchas de madeira, que atualmente já não é habitual usar-se.

Qual tem sido o papel da tecnologia? Que evoluções tem havido?

Sem dúvida que a evolução da tecnologia tem impactado fortemente a segurança. Do lado do controlo da segurança, existem ao nosso dispor diversas plataformas de informação partilhada, que nos permitem melhor comunicação e gestão documental entre as partes.

Do lado dos equipamentos, nós notamos que os equipamentos de grande porte ao longo do tempo foram melhorando e tornando-se mais seguros, possivelmente por acidentes que foram ocorrendo. Também já se vai ouvindo falar, cada vez mais, dos chamados EPI’s inteligentes, como por exemplo fatos de bombeiros que medem os seus fatores vitais, a sua frequência cardíaca, pressão arterial, etc. No nosso caso falamos de vestuário inteligente. Vamos imaginar um vestuário que muda de cor se estiver perante uma determinada substância tóxica, ou luvas que mudam de cor. Há capacetes com sensores de ruído, sensores de poeiras, sensores de fumo, sensores de temperatura, até localizador GPS para o caso de ser preciso identificar rápido a localização de um trabalhador em caso de acidente.

Tudo isto é permitido pela evolução da tecnologia. Não só auxilia o nosso trabalho, como aporta mais e melhor segurança para todos.

Que oportunidades de melhoria identifica para os empreiteiros?

Focaria em melhor comunicação e melhor cultura de segurança.

Na parte da comunicação, se existir uma melhor comunicação entre a direção da obra e o técnico de segurança, será fundamental no sentido de prever futuras atividades que vão ocorrer na obra, para minimizar os riscos associados, para implementarmos medidas e até, eventualmente, para adquirir algum equipamento que seja necessário para prevenir aquele risco. Este tipo de comunicação é uma situação que sentimos que por vezes vai faltando, e depois corremos atrás do prejuízo. Devia ser prática, nas nossas visitas semanais às obras, estudarmos o planeamento juntamente com a direção de obra ou encarregado, identificando próxima atividades, riscos inerentes e eventuais medidas de prevenção que podem ser aplicadas, bem como necessidade de aquisição de determinado equipamento.

Na parte da cultura de segurança, eu costumo dizer aos encarregados: “a obra é a cara do encarregado”. E eles riem-se. O que sentimos no geral é que se o encarregado for bom, a obra está normalmente bem controlada. Existindo um encarregado interessado na segurança, bem como o diretor de obra e a empresa em si, temos um grande aliando.

Quais é que acha que são os temas mais relevantes nos próximos anos?

Acho importante a revisão da nossa legislação antiquada, insistir em formações qualificadas/especializadas para as tarefas, e que ACT partilhe mais temas relacionados com a construção civil, para que se sinta uma preocupação do lado deles também e que visite mais as obras, não necessariamente a típica visita de pedir o envio de documentação à posteriori, mas que vá numa ótica de sensibilização, consciencialização e crescimento desta área que é a segurança. Ainda nos vamos socorrendo da ACT, dizendo por vezes “olhe se o ACT vem, isto não está bem”.

Outro tema relevante, poderá ser também, conforme já mencionado, a adoção de EPI’s inteligentes, que podem ajudar/facilitar tarefas. Por exemplo, em espaços confinados, se o EPI mudar de cor quando detetar que estamos perante uma substância, assinalando prontamente que tenho de sair dali, é uma grande ajuda, com impacto positivo na segurança.

Quais são os temas de maior tensão entre a segurança e o empreiteiro, e como é que se pode resolvê-los?

Por vezes existem momentos de maior tensão entre o técnico de segurança e a direção de obra, porque normalmente a direção de obra pretende a produção, e, portanto, avançar com a obra, e o técnico de segurança, não é que não queira igualmente a produção, mas pretende uma produção com segurança. Somos por vezes vistos como os que atrasamos a obra.

É aqui que entra o nosso papel importante, de entrar, conversar e fazer com que os responsáveis entendam o nosso papel e o porquê de estarmos a pedir para fazer uma determinada correção ou implementar uma medida de prevenção em determinada atividade que esteja a decorrer. Claro que se conjuga com todos os custos envolvidos, porque, quando chegamos a uma obra e solicitamos que sejam adquiridos equipamentos em falta, gera tensão pelo aumento dos custos, dificultando a aplicação de algumas medidas de segurança. O nosso objetivo é sempre zero acidentes e zero consequências de futuro para os trabalhadores, mas, quando não há acidentes, as pessoas às vezes tendem a facilitar. Nós somos, na verdade, um parceiro, que trabalha em prol da entidade executante.

Como é que tem estado a correr a segurança na empreitada de São Bento, e quais os maiores desafios até agora?

Sem dúvida, há uma grande vontade de prevenção, mais do que correção – porque quando falamos de correção é porque já está mal, não é? Nota-se, por exemplo, quando fazem imediatamente uma linha de vida para quem trabalha na cobertura. Quando estive na vossa obra de São Bento, quase logo no início das medições, notei de imediato um cuidado na utilização do guarda-corpos e de tapar zonas que já estavam abertas entre pisos – o que nós chamamos o assoalhamento. Notei preocupação, e isso deixa-nos logo mais confortáveis. Depois, obviamente, ao longo da obra vamos sempre ter de ir melhorando, até porque depois não é só equipa da Beelt que lá anda, andam os seus subcontratados que, por vezes, são mais “rebeldes”, mas queremos continuar a fazer parte do crescimento da Beelt.

Eu considero que a Beelt está no caminho do crescimento na cultura da segurança. E noto também nos pedidos de informação que fazemos, a resposta tende a ser rápida.

Que características considera serem importantes para o sucesso da Beelt?

Diria que o que vos melhor caracteriza é a melhoria contínua nos vossos processos. À medida que vão encontrando desafios, mantêm um trabalho de aprendizagem e melhoria contínua. E isso vê-se naquilo que mencionei da atitude face à segurança, em que nem sempre tudo é perfeito, mas há uma vontade de o fazer bem. Já é comum a direção de obra pedir-nos procedimentos específicos: “Vamos ter a atividade da estrutura metálica da cobertura, é preciso fazer um procedimento específico”. Excelente, isto é antecipar, é planear. Esta característica de melhoria contínua nos processos parece-me ser uma característica de sucesso.

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