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Desafios da Fiscalização: Reabilitação

#Àconversacom Sylvie Pereira / Gestart

No contexto atual da construção civil, a fiscalização de obras assume um papel cada vez mais crucial, não só no cumprimento de normas e regulamentos, mas também na garantia da qualidade, segurança e eficiência dos projetos. A obra de São Bento, com sua complexidade e relevância histórica, é um exemplo emblemático dos desafios e oportunidades enfrentados por profissionais da área. Neste #àconversacom entrevistámos Sylvie Pereira, profissional com uma trajetória rica e diversificada na construção civil, e mais recentemente fundadora e sócia responsável pela operação na Gestart – gestão de projeto, fiscalização e licenciamento, que partilha a sua experiência e visão sobre o papel da fiscalização em projetos de grande envergadura como a obra de São Bento.

Qual o papel mais importante da fiscalização numa obra como a de São Bento?

O papel mais importante da fiscalização numa obra é garantir o cumprimento de todas as normas e regulamentos, assegurando a qualidade dos materiais utilizados, a segurança dos trabalhadores e a conformidade com os projetos e especificações técnicas. A fiscalização tem a responsabilidade de fazer o acompanhamento da execução dos serviços, verificando se estão a ser realizados de acordo com os prazos estabelecidos e dentro do plano financeiro traçado.

Não se deve ver a fiscalização numa ótica de “policiamento”, mas sim num ponto de vista de ter alguém da área que pode ajudar atempadamente a detetar um erro, a retirar uma dúvida e a criar estratégias para minimizar desvios quer temporais, quer financeiros.

Um exemplo muito simples, um material indicado no projeto, mas que a sua utilização nos últimos tempos em outras obras tenha apresentado falhas de comportamento. Faz parte do nosso trabalho apresentar soluções alternativas que cumpram a qualidade expectável, mas que não ultrapassem os objetivos de custo e tempo pensado para o projeto em questão. Essas alternativas deverão sempre ser trabalhadas e aprovadas com a equipa projetista.

Também comum é a equipa de obra estar, por vezes, muito focada em resolver determinado problema e desvalorizar pormenores secundários relevantes. Cabe-nos a nós alertar para essas situações de modo que possamos prever o máximo possível dos trabalhos a executar. Para os erros que existam e deem caminho a trabalhos não previstos, e com isso resultar em desvios financeiros, a fiscalização pode (e deve) trabalhar com o empreiteiro e o Dono de Obra para encontrar soluções alternativas que ajudem a “equilibrar a balança”.

Quais as principais dificuldades da fiscalização?

Um dos maiores desafios para a fiscalização é lidar com equipas que não cooperam adequadamente, omitindo informações cruciais ou transmitindo-as de forma errada. Muitas vezes encontram-se equipas jovens, sem experiência, e se verificarmos que está a ter impactos na obra devemos alertar a quem de direito, para evitar problemas.

Quais são normalmente os principais riscos para os quais a fiscalização deve estar alerta?

A fiscalização deve estar alerta para uma série de riscos, destacando os seguintes:

Riscos de segurança – Envolve a identificação de perigos e a aplicação de medidas de segurança adequadas para prevenir acidentes ou danos às pessoas, propriedades ou meio ambiente.

Riscos de qualidade – A fiscalização deve garantir que os produtos e serviços estejam em conformidade com os padrões de qualidade estabelecidos, evitando assim a entrega ao cliente de um produto de baixa qualidade.

Riscos ambientais – É imprescindível que a fiscalização assegure a adoção de práticas apropriadas por parte das empresas e trabalhadores para minimizar os impactos ambientais decorrentes da atividade.

Quais são as características mais marcantes da obra de São Bento?

Trata-se de uma reabilitação de um edifício de quatro pisos mais um piso em sótão, de construção do “tipo gaioleiros” originais do final da década de 1870. Este género de edifícios representa, aos dias de hoje, a grande parte do edificado em alvenaria da cidade de Lisboa. O sistema de parede existentes é típico deste tipo de construção e consiste numa malha ortogonal de parede de alvenaria de tijolo e de pedra irregular (nas paredes exteriores e paredes interiores principais) e de paredes tabique em madeira (paredes interiores secundárias). A estrutura de piso e de cobertura é composta por uma estrutura em barrotes de madeira apoiados nas paredes resistentes. Esta é uma estrutura não convencional e, por tal, tudo o que é relacionado com a estrutura, segurança contra incêndios, acústica, redes de infraestruturas, etc, tem características muito particulares, e é importante assegurar que todas estas características sejam meticulosamente restauradas e/ou modernizadas, mantendo a integridade histórica do edifício enquanto se atualiza para estar de acordo com os padrões atuais de segurança e conforto.

Quais os principais desafios enfrentados neste projeto?

Nesta obra como em qualquer obra de reabilitação, os principais desafios que se enfrentam são as “surpresas” com que nos vamos deparando, ao executar as demolições e trabalhos de preparação. São inúmeras as situações que não se conseguem prever na fase de projeto porque não são visíveis. É a grande diferença entre uma obra feita de raiz e uma obra de reabilitação.

São exatamente os indicados, ou seja, as “surpresas”, que implicam encargos financeiros e desvios temporais ao previsto inicialmente.

Sente que os temas ambientais e de sustentabilidade começam definitivamente a moldar os projetos?

Sim, isso é evidente nos projetos atuais. Cada vez mais, as empresas estão a consciencializar-se da importância de considerar os aspetos ambientais e de sustentabilidade nos seus projetos. Estes temas estão a tornar-se uma prioridade nas decisões estratégicas em diferentes empresas, tanto para garantir a preservação do meio ambiente como para atender às solicitações dos consumidores.

Além disso, há uma crescente pressão da sociedade civil e de organizações não governamentais para que os projetos sejam desenvolvidos de forma sustentável. Os investimentos em energias renováveis, eficiência energética, reciclagem e redução de emissões de carbono estão a tornar-se cada vez mais comuns, assim como a consideração do impacto ambiental e social nas fases de planeamento e execução dos projetos.

Há uma preocupação ativa por parte dos projetistas, dono de obra e empreiteiro para este tema, ou cingem-se ao obrigatório?

A resposta a essa pergunta pode variar, pois depende da mentalidade e consciência ambiental de cada projetista, dono de obra e empreiteiro. Alguns podem ter uma preocupação ativa com as causas ambientais e procurar implementar práticas sustentáveis nos seus projetos e obras, além do que é obrigatório por lei. No entanto, também existem aqueles que se limitam a cumprir o mínimo obrigatório em termos de legislação ambiental. Essas pessoas preocupam-se apenas em evitar multas e penalidades, sem demonstrar um verdadeiro compromisso com o meio ambiente.

Como vê o futuro da fiscalização de obras, especialmente à medida que a tecnologia continua a evoluir?

Acredito que o futuro da fiscalização de obras será cada vez mais impulsionado pela tecnologia. Com o avanço das inovações, como a inteligência artificial e drones, haverá uma maior capacidade de monitorizar e fiscalizar obras de forma mais eficiente e precisa.

Por exemplo, sensores conectados em equipamentos e estruturas poderão fornecer dados em tempo real sobre o seu desempenho, possibilitando a deteção antecipada de falhas e a tomada de medidas corretivas. Além disso, a utilização de drones poderá auxiliar na inspeção de áreas de difícil acesso, como pontes e prédios altos, reduzindo o tempo e os custos envolvidos nesse processo.

Outra tendência é a adoção de sistemas de modelagem e visualização em 3D, como o Building Information Modeling (BIM), que permitem uma visualização mais clara e precisa do projeto, facilitando a identificação de problemas e o acompanhamento do progresso da obra.

No entanto, é importante destacar que, mesmo com o avanço tecnológico, a presença de fiscais humanos continuará a ser necessária. A tecnologia é uma ferramenta que auxilia e complementa o trabalho humano, mas não pode substituí-lo completamente.

Para terminar, como caracteriza a atuação da Beelt nesta obra?

Embora a minha experiência com a Beelt seja recente, posso adiantar que têm uma equipa bastante dinâmica e com provas dadas no mercado de que é capaz de fazer, e fazer bem.

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